A política brasileira anda tão estressante que o respeitado analista político Merval Pereira preferiu um assunto mais ameno no último final de semana, quando abordou a expressão “estar de chico”, como o jogador de futebol Neymar se referiu ao árbitro do jogo do seu Santos com o Remo. Conforme gramáticos portugueses, significa estar emporcalhado. Não se usa apenas para mulheres menstruadas e sim para pessoas com aspecto de sujidade.
Coincidência ou não, o caso do cão Orelha está estimulando a tramitação de vários projetos de lei voltados à causa animal na Alesc. Nesta semana deram entrada quatro: instituem campanhas de conscientização, criam datas comemorativas, garantem o fornecimento de água e alimentação a animais em espaços públicos e permitem o sepultamento de animais de estimação em túmulos de seus tutores. Só se espera que tudo isso não fique empanado com registros de ocorrências das famigeradas farras do boi.
Enquanto tenta dar um ritmo um pouco mais normal à sua pré-campanha para o Senado por SC, Carlos Bolsonaro enfrenta crises na família. Depois de visitar o pai, quarta-feira, disse que ele segue com crises de soluços “intermináveis e ininterruptas”, além de uma piora progressiva do quadro clínico. No mesmo dia a ex-primeira-dama,
Michelle, postou em suas redes sociais que o marido está “bem, na medida do possível”, e que as crises de soluço teriam dado trégua.
O Comitê Olímpico Internacional anunciou uma política para impedir a participação de mulheres trans em competições femininas. E na Alesc está em análise projeto que define o sexo biológico como critério para participação em competições e concursos financiados pelo poder público estadual, incluindo eventos apoiados por incentivos fiscais. A medida abrangeria também os eventos promovidos por organizadores que tenham recebido incentivos fiscais do Estado. Até onde se sabe é a primeira iniciativa legislativa no Brasil, com tudo para dar muito que falar.
A Univali e a Federação Catarinense de Futebol firmaram um termo de cooperação técnico-científica que vai possibilitar a realização de uma pesquisa inédita no Brasil sobre o futebol de base em SC. Finalmente se terá dados sobre profissionais, estruturas e processos formativos do setor. O coordenador de base da FCF, Rodrigo Nunes, diz que a realização da Copa do Mundo de Futebol no Brasil, em 2014, marcou o início de um processo ascendente de qualificação profissional na modalidade. Sinceramente, não parece. Pelo contrário, vê-se muito mais cartolas mal intencionados nesse esporte.
Todas as inclusões são benvindas, como o programa SC em Libras, lançado esta semana pelo governo estadual para facilitar a comunicação entre pessoas surdas ou com deficiência auditiva e os serviços públicos, oferecendo atendimento com intérpretes por videochamada, disponível 24 horas. SC conta com cerca de 88 mil pessoas surdas ou com algum grau de deficiência auditiva.
Na prática, o funcionamento é simples: ao procurar um serviço público, a pessoa surda ou o próprio servidor pode acionar a central de intérpretes através de QR codes disponíveis nos equipamentos públicos. A mediação acontece por videochamada, com tradução simultânea entre Libras e português, garantindo clareza na comunicação durante todo o atendimento.
Está indo para sanção do governador outro projeto inclusivo aprovado na Alesc: prevê que pessoas com a doença de Parkinson tenham direito à gratuidade no transporte público intermunicipal e prioridade no atendimento em estabelecimentos públicos e privados. Benefícios que dependerão de comprovação na Fundação Catarinense de Educação Especial ou em instituições por ela credenciadas.
Sobre nota, aqui, ontem, uma pergunta à espera de uma resposta: por que todos os ex-governadores de SC votam em Flávio Bolsonaro 22 e rejeitam Jorginho Mello 22?