Herança besquiana (1)
Vai e volta o finado Banco do Estado de SC (Besc) frequenta a mídia, e de forma negativa. A notícia do momento é que o agora encrencado banco Digimais, controlado pelo grupo Record, do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, comprou R$ 271,4 milhões de seus papéis podres por meio de um fundo de investimentos chamado Betel. Operação igual à feita pelo Banco Master, que para inflar seus balanços comprou os mesmos títulos, que não valem praticamente nada no mercado, como se valessem milhões. Até recentemente, os fundos do Master e do Digimais eram administrados pela Reag, gestora que foi liquidada pelo Banco Central em janeiro deste ano. Na última quinta-feira ele divulgou balanço com prejuízo de R$ 581,4 milhões no primeiro semestre deste ano.
Herança besquiana (2)
O Besc foi comprado pelo Banco do Brasil em 2008 e os certificados de ações que existiam na época (chamados cártulas), um documento físico, permaneceu com os acionistas, que em troca receberam ações eletrônicas do Banco do Brasil. Como não precisaram entregar os documentos físicos, tais papéis passaram a ser usados em fraudes, como se ainda representassem ações do Besc. Para o Tesouro Nacional esse papeis tem hoje apenas valor histórico.
Lei imoral
O TJ-SC declarou inconstitucional a lei municipal 1.540/2026, de Maracajá, que instituiu um “prêmio de assiduidade” para servidores públicos dos Poderes Executivo e Legislativo. A decisão considerou que a vantagem, concedida de forma ampla e indistinta pelo simples comparecimento ao trabalho, viola os princípios da moralidade e da impessoalidade administrativa previstos na Constituição Estadual. A imoralidade lei previa o pagamento mensal de valores entre R$ 82,50 e R$ 330, conforme a carga horária, aos servidores efetivos, comissionados, temporários e conselheiros tutelares. Para cumprir seu dever, diga-se. É o fim da decência administrativa pública.
Ecos
Depois das infelizes declarações de Lula e Janja, sábado, em Florianópolis, no comitê de campanha do governador Jorginho Mello o clima parece de festa desde então, e agora com uma quase certeza de que Flávio Bolsonaro vai ter aqui sua maior vitória dentre todos os Estados. Consequentemente Lula deverá registrar por aqui seu pior desempenho no primeiro turno. A conferir.
Mais eficientes
Saiu ontem o Ranking de Eficiência dos Estados, desenvolvido pela “Folha de S. Paulo”, que mensura a capacidade dos governos estaduais de transformar recursos públicos em resultados para a sociedade. Chega a isso cruzando indicadores públicos e verificáveis em educação, saúde, infraestrutura, segurança pública e finanças, com a receita corrente líquida per capita de cada Estado. SC ficou em 4º lugar, depois do Paraná, Ceará e São Paulo, 1º, 2º e 3º, respectivamente. O curioso é que Estados com alta disponibilidade financeira por morador —impulsionada por repasses federais e baixa densidade populacional—, como Amapá, Acre e Roraima, aparecem nas últimas posições.
Podridão
Uma pesquisa Datafolha de sexta-feira mostrou que 48% dos entrevistados dizem não confiar no Supremo Tribunal Federal. No dia seguinte apareceram as imagens do “supremo” Alexandre de Moraes e esposa usando jatinho do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. E para completar o quadro da podridão que assola os altos poderes da República, outra imagem de causar engulhos foi a do procurador geral da Republica, Paulo Gonet, refestelando-se com o mesmo Vorcaro em Londres.
Anistia
A Câmara dos Deputados informa que está em plena tramitação o projeto de lei 1978/26, de autoria da deputada Julia Zanatta (PL-SC) que concede anistia de multas a pais ou responsáveis legais de crianças e adolescentes pelo descumprimento de obrigações relacionadas à vacinação contra a covid-19. Em 2025, o Superior Tribunal de Justiça decidiu, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que estão sujeitos a multa os pais que se recusarem, sem justificativa médica, a vacinar os filhos contra a covid-19. A multa varia de 3 a 20 salários-mínimos.
Crianças órfãs
Nova estimativa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública diz que cada mulher vítima de feminicídio deixa, em média, dois órfãos. Em SC, entre 2020 e 2024, foram registrados 396, dos quais 260 vítimas eram mães. Calcula-se que cerca de 520 crianças e adolescentes tenham ficado órfãos em decorrência do feminicídio no Estado. Imagina-se a dor e o sofrimento da perda. Uma tragédia.