Desumano

17, maio, 2012

Um tecnocrata, em gabinete refrigerado, em Brasília, decidiu, numa reles portaria, que ninguém mais no país pode usar a conhecidíssima rede de espera para pescar. Uma das justificativas é proteger os surfistas. Em Balneário Arroio do Silva, no extremo-sul catarinense, 40 famílias de pescadores estão desesperadas com a proibição. Comovido, um procurador federal está tentando derrubar a medida.

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  1. carlos
    17, maio, 2012 em 10:48 | #1

    Nas praias do Rio Grande do Sul, tivemos várias mortes de surfistas que ficaram presos nessas redes que os caras colocam junto à rebentação. São 40 famílias de pescadores, mas do outro lado, temos 49 mortes de surfistas ocorridas desde 1983 no Litoral Norte do RS. “O acidente ocorre no Mar, quando o surfista fica preso pelo leach/cordinha, no cabo ou na rede de pesca fixa,…ocasionando o afogamento !! Agora no Litoral do Paraná, na Praia de Coroados, em fevereiro último a surfista Renata Turra Grechinski, de 23 anos, também morreu surfando numa rede de pesca fixa,a tragédia ultrapassou as fronteiras do Estado,…existem casos também no Sul de Santa Catarina.” O tal tecnocrata certamente é mais sensivel do que o jornalista!

  2. 17, maio, 2012 em 18:20 | #2

    Carlos, um detalhe: os pescadores fazem esse tipo de pesca há séculos; os surfistas vieram depois. O mais sensato seria um acordo entre as duas partes. Algum tipo de sinalização, por exemplo, já ajudaria. Ass: o jornalista sensivel.

  3. carlos
    18, maio, 2012 em 11:42 | #3

    A minha crítica é em relação à abordagem superficial do assunto, que ofende um suposto servidor público lá em Brasília, sem nenhum contexto sobre o assunto. A proibição do uso dessas redes em praias foi dada pela port. 54/1999, ou seja, há 13 anos. O que ocorreu agora é a ação do MP de Criciuma, que resolveu pedir, pela via judicial, o cumprimento da norma, sob o argumento de que “a fixação das cordas da rede de espera prejudica a pesca artesanal, o que provoca o rompimento das malhas das redes de arrasto. Ele também considera o apetrecho perigoso para os banhistas e surfistas, que são lesados no direito à livre circulação, reprimida pelos cabos de espera. Nem se trata de afetar uma tradição secular, já que esse tipo de pesca ocorre há menos de meio século na região. A tradição secular é a da pesca de arrasto, e essa é prejudicada pelas redes de espera, que, além de gente, também mata golfinhos e tartarugas, por exemplo.

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