Estado racista 2
“Esperava-se um racismo menos acanhado por parte da elite política de um Estado que abriga mais de 320 grupos nazistas”, diz Amparo, para quem “opor cotas raciais a cotas sociais —como fez SC na lei – é um equívoco”.
“Esperava-se um racismo menos acanhado por parte da elite política de um Estado que abriga mais de 320 grupos nazistas”, diz Amparo, para quem “opor cotas raciais a cotas sociais —como fez SC na lei – é um equívoco”.
Ruth de Aquino, em “O Globo”, sobre o episódio do cão Orelha, resume bem o daqui em diante: “É preciso investigar o papel de cada um, reter passaporte, proibir viagens, prender. E depois, anos de medidas socioeducativas, como trabalhar 12 horas por dia num abrigo de animais. Acredito nisso”. Aqui também.
Eliane Cantanhêde, no “Estadão”: Que o sistema e os agentes da Justiça cumpram o papel que a sociedade exige: investigar e, se for o caso, punir dentro da lei. O oposto seria aprofundar a descrença nas instituições e na igualdade de direitos entre pobres e ricos e o incentivo aos autores, às redes, ao ódio e à desumanidade. O bem sempre vence no final? Esse sonho não pode morrer”.
Observação pertinente do analista político Evaldo Wilerding: nas 20 últimas postagens em redes sociais, o pré-candidato ao Senado por SC, Carlos Bolsonaro (PL), ignorou completamente questões “catarinenses”, digamos assim, como a BR-101 e o Morro dos Cavalos, nenhum comentário sobre a crise do leite, balneabilidade nas praias… Só glorifica o pai e demoniza o STF. Quem mencionou mesmo SC foi seu irmão senador, Flávio, sobre o cão Orelha, em que prestou solidariedade às pessoas que cuidavam do animal e classificou o ocorrido como “um ato de crueldade injustificável”.
Se o senador Jorge Seif (PL-SC) perder o mandato no julgamento marcado para a próxima quinta-feira no Tribunal Superior Eleitoral, a própria corte eleitoral deverá decidir o pós, entre duas alternativas: uma nova eleição ou a ascensão do segundo colocado na eleição de 2022, Raimundo Colombo, do PSD.
Estão abertas as inscrições para ingresso no Corpo de Bombeiros Militar de SC, que põe a corporação entre as mais valorizadas do serviço público no Brasil. Os editais lançados são para os cursos de formação de oficiais e praças, com 110 vagas. Detalhe: durante o curso o aluno recebe um subsídio de R$ 18.670,37, mais auxílio-alimentação de R$ 550. Quando concluir e for promovido a 2º tenente, iniciando a carreira, o vencimento passa para R$ 21.284,40, além do benefício de alimentação.
Em pleno século 21 ainda acontece isso: a prefeitura de Catanduvas, no oeste do Estado, fez uma chamada pública restrita a homens para contratação de um educador social, sob o argumento de que o cargo exigiria o uso de força física para lidar com pessoas que resistem à abordagem. Que está sendo judicializada, lógico. A Constituição Federal e as leis trabalhistas dizem de forma absolutamente cristalina que pessoas dos sexos feminino e masculino têm exatamente os mesmos direitos no mercado de trabalho e protegem o acesso das mulheres ao serviço público, vedando qualquer tipo de discriminação.
A proibição das cotas raciais está colocando SC na mídia nacional, onde, em reportagens, artigos e até editoriais, se condena a medida, unanimemente. Como voz única, a Procuradoria Geral do Estado de SC sustenta que não, argumentando que decisões até agora do e no STF são sobre a constitucionalidade da criação de cotas, como uma forma de distinção permitida em relação ao princípio da igualdade, porém sem proibir a vedação ou a limitação dessas políticas pelo poder público. Outro argumento é que a sanção foi protegida pelo exercício da autonomia estadual. A discussão irá longe.
A propósito, a Universidade do Estado (Udesc), que criticou a sanção da lei, tem apenas 5,2% dos seus professores que se autodeclararam pretos, pardos ou indígenas, índice que é de 25% nas demais universidades estaduais do país. Na população brasileira, são 56,3% de pessoas pretas, pardas ou indígenas; na de SC é de 23,5%, conforme o IBGE.